Menos é mais!

Atualizado: Jul 11

Quem nunca ouviu esta famosa frase?


Em se tratando de música isto é uma tremenda verdade.

E tem algo lindo na simplicidade, no minimalismo que me fascina, principalmente quando o assunto é som de bateria.

Eu gosto é do som real do kit, naturalmente sendo bateria. Até hoje o som de uma bateria ao vivo me emociona, principalmente se estiver sentado nela um grande baterista, aí fica muito divertido. Quando eu tinha meus 12 ou 13 anos, eu ficava sentado bem na frente de um apartamento perto da minha casa, naquele apartamento ensaiava uma banda e eu ficava alucinado com o som dos pratos e da caixa, aquilo era lindo.

Eu escutava "um" som de bateria, e uso o o termo "um" não no sentido numérico, mas sim no sentido de único.

E o meu gosto por sons de bateria continua sendo cada vez mais esse.


Nas minhas mixagens dificilmente você vai ver meus tambores em panorâmicos radicais, justamente por que gosto de ouvir minhas bateras como um único som.

Não que usaremos abertura nenhuma nos pans, mas nunca usarei radical, tipo aquele fill que começa la na ponta direita e morre na outra extremidade do espectro.

Quando você escuta uma banda ensaiando, o baterista não corre até a ponta da sala para fazer as viradas, tudo acontece em um único ponto da sala.


Mais a baixo vou compartilhar um vídeo sensacional do mestre Bob Clearmountain mostrando um resultado maravilhoso com apenas 2 microfones.

Por favor, desapeguem das crenças sobre equipamentos e salas acústicas, apenas foquem na essência da idéia, na simplicidade.

Vale destacar que o baterista aqui é uma lenda, Matt Chamberlain.

Matt tocou com Soundgarden e David Bowie, e ele revela uma dica maravilhosa que veio ao encontro do que eu faço em minhas gravações.


Bob Clearmoutain já mixou discos clássicos da música mundial de artistas como Kool and Gang, David Bowie, The Cure, Stones e muitos outros.




Um método perfeito para homestudio


Quando 2 canais apenas estão disponíveis, certamente este é um dos métodos mais propícios para gravar na sua casa.


Para este vídeo desconsidere marcas, estrutura acústica e equipamentos e apenas abra a sua mente para observar a técnica Bob e o pensamento do baterista Matt Chamberlain.



Grave pensando na mix


Uma das coisas interessantes que Bob menciona no vídeo é por que ele colocou o microfone do bumbo dentro, ao invés de colocar no buraco.

Todo buraco em uma pele de resposta no bumbo cria uma concentração de ar, gerando uma espécie de jato de ar que atinge a cápsula do microfone, dando a você uma falsa percepção de frequências graves, por isso ele optou por colocar o mic no interior do bumbo.


Ou seja, ele posicionou o microfone com a intenção de captar o som que ele deseja ouvir na mixagem, e não com aquela mentalidade de que "na mix arruma"


Aparentemente parece uma decisão simples e sem importância, entretanto mostra o tipo de pensamento inteligente que vc deve ter, sempre captando os sons de uma gravação tendo a mixagem em mente desde o inicio. Certamente as suas gravações soarão melhores!


Em posse deste pensamento, de mirar o processo de mixagem desde o inicio, o baterista Matt Chamberlain solta uma das maiores dicas que você irá ouvir, e que certamente há alguns anos atrás eu diria que era bobagem.


Se você quiser um som maior e mais equilibrado na mixagem, toque mais leve na bateria.


Como assim?!


Raramente esse assunto se faz presente nos debates sobre gravação de bateria, e certamente é um dos fatores mais determinantes para o resultado final do som de bateria.


Matt Chamberlain sugere que os bateristas toquem mais leve do que normalmente tocariam, por uma razão: melhor equilíbrio na mixagem mais tarde, especialmente se você quiser comprimir esse microfone.

Então como Bob, Chamberlain está pensando na mixagem e ajustando sua técnica e pegada na gravação de acordo com o que ele quer ouvir na mix posteriormente.

A característica mais importante em um baterista é saber tocar mixado.


Em outra parte da entrevista, Bob diz que ficava horas tentando melhorar o som e afinação das baterias em suas sessões de gravação, mesmo ele não sendo baterista.


E eu sempre insisto nisso:

Quer um sonzão de batera??

Invista tempo e paciência nessa busca.

Tentativas e erros fazem parte do processo.


É assim que você aprende!

Colocando horas e horas em experiências.

Gravar e mixar não é uma ciência. Não é uma receita de bolo.

É uma arte!


Hoje em dia, muitas colegas iniciantes não querem dedicar tempo em experimentação.

Se você puder reservar um tempo para mexer e experimentar (fora do horário da sessão), começará a aprender os detalhes desse ofício e a adquirir conhecimento que o ajudará a alcançar objetivos cada vez mais surpreendentes.

Não há outro atalho, comece a trabalhar!


Menos é mais!


Tenho certeza que quando simplificamos, somos naturalmente forçados a atingir resultados melhores com pouco, e isso vai te trazer um som bom de bateria em todas as situações, sempre!

0 visualização
  • Facebook - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle
  • YouTube - Círculo Branco

Tel: 51 3024 8953 | 98151 4873

Rua Cel. Feijó, 225 - Higienópolis - Porto Alegre/RS

MNSTR-LOGO.png